marcela levi

Joaquim Noguero
La Vanguardia - Crítica de Dança
Barcelona
2008

Externas interioridades - Massa de Sentidos



A coreógrafa brasileira entra em cena e alinha no chão um jogo de matrioskas, as famosas bonecas russas. Esta imagem e a da massa de pão são os únicos objetos em cena e servem para a coreógrafa de metáfora precisa do sentido da peça. Levi vai nos desvelar suas interioridades, até às menores, o mais íntimo, que não é o sexo nem o corpo, oferecido com naturalidade a descoberto, mas esse âmago de canção infantil que ela insinua no trecho final. O processo é calculadamente matemático, cheio de simetrias. a peça é intelectual e é orgânica: organizada ao extremo, ritualizado cada movimento, é corporal sem sensualidade e é expressiva sem outra capacidade emotiva senão a da vulnerabilidade inerente à nudez. A partir de um jogo formal baseado na dialética dentro-fora, cheio-vazio, Levi constrói um discurso sobre o discurso, sobre a impossibilidade de um único ponto de vista, das leituras unívocas. Expresso com a máxima sobriedade.