marcela levi

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em redor do buraco tudo é beira

Performance :: grupo
2011

- Não há filme sem estória. Já tentaste construir uma casa sem paredes? É o mesmo. Não podes construir uma casa sem paredes. Um filme tem de ter paredes, Friedrich. Tem de ter paredes, percebes?
- Por que paredes? O espaço entre os personagens pode aguentar o peso. Estamos a falar de... espaço entre as pessoas.

(Wim Wenders)

Se há estranheza nos dois corpos em cena que parecem nunca conversar diretamente, isso se deve ao fato de que Levi abandona a idéia de diálogo como encontro, troca ou convergência e propõe aí uma outra experiência, inspirada no pensamento de Maurice Blanchot (A Conversa Infinita) para quem a conversa se dá justamente como descontinuidade, no espaço vazio que irrompe entre uma fala e outra. Em redor de buraco tudo é beira se oferece como uma fábula que se deixa interromper; que surge da articulação de 'manifestações curtas' (fragmentos autônomos curtos e potentes) que se repelem e se atraem de modo a manter sempre o sentido sob tensão.

(Laura Erber)

FICHA TÉCNICA

Direção artística: Marcela Levi
Performance e Co-Criação: Flavia Meireles (posteriormente substituida pela artista convidada Lucía Russo) e Marcela Levi
Colaboração dramatúrgica: Laura Erber
Assistência: Denise Stutz
Luz: Fábio Retti
Música: Marcela Levi e Bruno Rezende
Objetos cênicos: Marcela Levi

Residências artísticas: La Laboral-Ciudad de la Cultura, Gijón/Espanha
Programa de Residência - La Casa Encendida e Universidad de Alcalá de Henares - Madrid
Espaço SESC / Rio de Janeiro
Co-produção: Bienal Internacional de Dança do Ceará
Apoio: Espaço SESC / Rio de Janeiro
Produção: Improvável Produções

Agradecimentos especiais: Sérgio Rezende, Ginetta Mortera, Claudia Garcia, Nicolas Boudier, Wolmir Cordeiro, Maria Alice Rabelo, Karl Erik Schollhammer, Benedito e Iracema Meireles, Daniel Pizamiglio, Micheline Torres, Ana Cristina, Néia, Felipe Ribeiro, Bia Radunsky e toda a equipe do Espaço Sesc.

Este projeto foi contemplado pela Fundação Nacional de Artes no Programa de Bolsa de Estímulo à Criação Artística.

Em redor do buraco tudo é beira foi incluído entre os destaques da dança em 2009 pela crítica especializada do jornal O Globo (31/12/2009).

Em redor do buraco tudo é beira foi contemplado com o Prêmio Reconhecimento ZKB 2010 (09/04/2010):
31o. Zürcher Theaterspektakel Festival :: Zürich :: Suiça
4-Set-2010
"O Prêmio Reconhecimento permite maior apoio e reconhecimento ao indicado cujo trabalho é considerado marcante. É dado a uma companhia ou a um artista por realização extraordinária nos campos da coreografia, dramaturgia, participação da plateia ou atuação." (do site do Festival)

O Júri 2010
Jetse Batelaan, diretor de teatro, Rotterdam
Sandrine Kuster, atriz, diretora de teatro e festival, Lausanne
Hiromi Maruoka, produtora e promotora cultural, Tokyo
Simone Truong, coreógrafa e bailarina, Zurich
Ariane von Graffenried, escritora, spoken word performer e especialista em teatro, Bern

Declaração do júri:
Marcela Levi e Flavia Meireles (Brasil): em redor do buraco tudo é beira

O Prêmio Reconhecimento de 5000 Francos suiços é dado a Marcela Levi e Flavia Meireles por sua performance em redor do buraco tudo é beira. Com simplicidade fascinante e coreografia precisa, as duas performers conseguem criar um espaço cheio de imagens no campo da guerra e da violência. A abordagem fragmentária, poética e amoral é emocionante e ao mesmo tempo provocadora de pensamento. Flavia Meireles convence como uma performer marcante e dá uma contribuição significativa para o sucesso da performance. Operando no fio da navalha entre a dança contemporânea e as artes visuais, Marcela Levi e Flavia Meireles conectam-se com a platéia de modo aberto, sutil e direto e conseguem fazê-la rir, a despeito do conteúdo sensível de sua performance.
Com o Prêmio Reconhecimento ZKB 2010, o júri gostaria de encorajar as performers a expandirem suas pesquisas artísticas.